Porto – Sagres em bicicleta
Este ano ainda não fiz um grande passeio de bicicleta, diz o Pires em jeito de desabafo, acho que vou em Julho até Sagres, queres alinhar?
Vejam aqui as Fotos
E assim começou a ser delineada esta nossa aventura, alguns contactos e evento publicitado no Facebook, manifestavam a nossa intenção de fazer esta jornada em 3 dias, com paragens na Nazaré e em Setúbal.
Três dias, vocês são doidos, diziam a maioria dos nossos amigos, em bicicleta de BTT nem pensar diziam outros, e de repente mais um aventureiro se candidata, o Nuno Maia, também ele amante da bicicleta e deste tipo de aventuras.
Certo é que com vários tipos de justificação, mais ninguém se quis arriscar a percorrer connosco estes cerca de 600 km, e na data prevista 22 de Julho, lá nos encontramos bem cedo para iniciar este grande passeio de bicicleta.
1º dia
Dia 22 de Julho de 2011
Neste 1º dia a ideia para fazer esta primeira série de mais de 200km, era partir pelas 6.30h da manhã e chegar ao destino pelas 19h, mas as coisas foram um pouco diferentes.
O encontro conforme previsto foi pelas 6.15h num snack-bar que se encontra aberto toda a noite, até aqui tudo bem, mas os preparativos de partida foram um pouco mais demorados, e a atrasada saída só aconteceu bem perto das 7.
Toca a rolar em direcção a Ovar em ritmo forte, pois além da vontade de pedalar na “nossa cabeça” começávamos atrasados, chegados a Aveiro paragem numa pastelaria para um segundo pequeno-almoço e pequena paragem para retemperar forças, constatamos nessa altura que a média inicialmente planeada estava largamente ultrapassada, mas tudo estava a correr bem e arrancamos com a mesma cadência.
A partir desta altura a paisagem começou a merecer reparos, pois como sabem a vista da Ria, o percurso mais rural e as longas rectas imperam até à Figueira, que alcançamos pelas 11.30h, cerca de uma hora mais cedo que o previsto, ainda que com partida atrasada.
Era prevista nesta altura paragem para almoço, mas a opção foi rolar um pouco mais pois a hora ainda não convidava a repasto, assim rolamos mais alguns km e só pouco depois das 12.00h procuramos local para abastecimento reforçado.
Uma hora depois, com forças retemperadas e conversa em dia sobre este inicio de passeio, lá arrancamos novamente em direcção a Leiria, a nossa intenção era nesta fase seguir junto da costa, pelo que pouco depois da Guia mais concretamente em Monte Redondo, voltamos em direcção ao Mar para atingir a praia da Vieira, (Vieira de Leiria), e fazer então a longa recta que nos separava de S. Pedro de Moel.
Para nossa grande surpresa faltavam ainda cerca de dez minutos para as 15.30h e já fotografávamos S. Pedro de Moel, nas nossas contas 25 km nos separavam do final pelo que a opção esplanada foi nesta altura tomada para fazer tempo e contactar o João para apressar a sua saída do Lourosa ao nosso encontro com a bagagem, mas meia hora passada a vontade de terminar chegou e lá seguimos pela Nacional até ao ponto final deste nosso 1º dia, A Nazaré.
Batiam as 17h e entravamos na recepção da Adega Oceano, local escolhido para descanso neste primeiro dia de viagem, Check-in efectuado e lá fomos até aos quartos para aguardar o João que só chegou pelas 19h conforme previsto.
Rescaldo deste 1º dia – Belo passeio, até agora sem grande dificuldade e cumprido em tempo recorde, tínhamos previsto uma velocidade média de 20km/h e estamos nesta altura com 26,73 km/h, em termos de paisagem também foi interessante observar a evolução de ambiente de cidade para paisagem rural, a excelente vista sobre as dunas na praia da Vieira e o percurso final em zona de mata que nos conduziu até à Nazaré.
Amanhã teremos mais um dia de contrastes nesta nossa quase aventura de travessia.
Um Abraço a todos,
Gaspar Moreira
Vídeo do 1º dia
2º Dia
São sete horas toca a acordar, afinal o corpo não se ressentiu como eu previa, tudo está Ok, 7.30h vamos lá ao pequeno-almoço reforçado.
Poucos minutos passavam das 8 e arrancamos para mais uma jornada de Bike, o destino final era Setúbal, a manhã estava um pouco fresca mas a paisagem da Nazaré compensava tudo, na ponta da praia primeira paragem, um pequeno veleiro saía da barra e nada como relaxar um pouco antes de enfrentar mais uma série de km.
Os primeiros km conduziram-nos por entre paisagem campestre até as Caldas da Rainha, com passagem relativamente próxima de Óbidos, ( pena o tempo não dar para visitar a Feira Medieval que decorria lá nessa altura ), como nos dirigíamos para o interior a inclinação de quando em quando fazia-nos companhia, mas nada demais, começavam a aparecer na paisagem pomares e pomares de maçã que enchiam completamente o horizonte e nos faziam pensar em parar para literalmente roubar alguns dos belos frutos que enchiam as arvores.
Alenquer aproximava-se e algumas subidas mais duras criavam ambiente para termos que contar, atingida a cidade faltavam cerca de 11 km de constante mas suave sobe e desce até atingirmos Vila Franca de Xira, local escolhido para almoço.
Passavam catorze minutos do meio-dia e eis-nos a chegar ao restaurante escolhido, um já conhecido do Pires que fica bem no centro da cidade, mais uma vez a média efectuada era mais alta que o previsto, pois descontado as paragens estava novamente acima dos 26 km/h.
Almoço regado com algumas imperiais e toca a rolar para enfrentar as DURAS Planícies Ribatejanas, acreditem que não é fácil rolar km e km em linha recta sem que a paisagem mude um pouco. O calor apertava e a água começava a escassear, nessa altura tive o único percalço da jornada, fiquei sem o preciso liquido e comecei a desidratar de tal forma que a boca secou e a dor de cabeça apareceu de um momento para o outro, por sorte num cruzamento um pequeno café permitiu-me comprar o tão precioso liquido e com goles de água de 5 em 5 minutos lá consegui repor líquidos e deixar de ter a incomodativa dor de cabeça
O único motivo de interesse desta jornada, acabou por ser o avistar do Castelo de Palmela, fraca consolação, pois a subida que o antecedia ficou seguramente gravada na memória de todos, a fabulosa descida até Setúbal porém também é motivo de recordação, depois de atingido o Castelo o trajecto desce de forma acentuada até ao limite da cidade, fantástico prémio para o finalizar desta etapa.
Pelas 16.30h já tocávamos a campainha da Residencial Setubalense, ponto de descanso escolhido para este dia.
Rescaldo da etapa:
Agradável fase inicial, com algum trajecto em percurso citadino pelo meio e a chatice de ter de rolar no inicio da tarde pelas intermináveis planícies Ribatejanas, mas com um final de paisagem deslumbrante sobre Tróia, Baía do Estuário do Sado e Parque Natural da Serra da Arrábida.
Um Abraço a todos,
Gaspar Moreira
Vídeo do 2º dia
3º Dia
Mais uma vez tivemos de madrugar, o Ferry para Tróia partia um pouco antes da 8 horas e não era conveniente perde-lo pois o seguinte atrasava a nossa viagem, assim um pouco antes das 7 já tomávamos pequeno-almoço reforçado e preparávamos as bikes para esta etapa de mais de 200 km.
A manhã estava convidativa, com um Sol a brilhar sem demasia e amena temperatura lá nos dirigimos ao Ferry para uma agradável travessia, desta vez os Golfinhos não nos brindaram com a sua presença mas a paisagem compensava esta pequena falha.
Cerca das 8.30h era chegada a altura de novamente pedalar rumo ao destino final, o aquecimento foi feito ao longo da margem apreciando a paisagem e as imensas aves que nela se alimentavam, alguns km de pois na Comporta paragem para um café e toca a rolar novamente, passagem por Pinheiro da Cruz em direcção a Sines em estradas que correm por entre a floresta e que nos fazem passar bem próximo da conhecida Lagoa de Stº André.
Sines ficou para trás e começámos a desfrutar a fabulosa paisagem da Costa Vicentina, ( recomendo vivamente um demorado passeio por estas bandas ), as falésias e pequenas praias começavam a aparecer e com elas um fervilhar de vida que recordo com agrado, até que cerca do meio-dia qual cereja no topo do bolo chegamos a Porto Covo, local paradisíaco que mereceu paragem para fotos, onde encontrámos gente da nossa terra e onde aproveitamos para almoçar.
Recomeçamos a jornada avançando até Vila Nova de Milfontes, nesta altura a viagem mais interior trazia paisagens menos agradáveis, mas chegados a Odeceixe tudo voltou a mudar, aparecia nesta altura a real dificuldade desta jornada, o carrossel da Serra que num sobe e desce constante nos conduzia até Vila do Bispo, este foi um dos troços que mais me agradou em termos de prática da modalidade e que chegou a proporcionar um agradável despique com um Inglês, que por estar a rolar com uma bicicleta de estrada pensava conseguir subir mais rápido que nós, ( cedo perdeu a vontade de competir pois em 8 km de subida perdeu cerca de 5 minutos, mais de 500 km de estrada davam frutos ).
Mas voltemos ao que interessa, Vila do Bispo atingida e só restavam cerca de 10 km até ao final, as estradas começavam a estar cheias de tráfego, o encanto desta aventura estava a terminar mas acreditem que avistar a Fortaleza de Sagres é por si só recompensa do esforço dispendido.
Aventura cumprida com média acima de 25 km/h, coisa que pensavamos impossível no nosso planeamento inicial, dura mas agradável e seguramente a repetir. Uma coisa é certa, se puder, próximo ano volto a fazer este trajecto.
Saída de Setúbal com paisagem fabulosa, Costa Vicentina a revisitar com calma, Porto Covo é demais, a Serra do Sudoeste Alentejano proporciona um final fantástico a estes mais de 600 km de aventura.
Vídeo do 3º dia
Um abraço a todos e até ao próximo ( PORTO / SAGRES )
Gaspar Moreira
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